Madeiras Brasileiras

As características da madeira variam muito entre as espécies. Em um exemplo, usando-se a densidade de massa aparente ao teor de 15% de umidade como indicador dessas propriedades, verifica-se que a madeira de balsa, com 200 kg/m3 e a de aroeira, com 1100 kg/m3, são materiais com propriedades físicas e mecânicas totalmente distintas.

Portanto, na escolha da madeira correta para um determinado uso, devem-se considerar quais as propriedades e os seus respectivos níveis são requeridos para que a madeira possa apresentar um desempenho satisfatório. Esse procedimento é primordial, especialmente em países tropicais onde a variedade e o número de espécies de madeiras disponíveis na floresta são expressões de sua biodiversidade.

Especialmente no que se refere à construção civil, com a exaustão das florestas nativas das regiões Sul e Sudeste, a fonte de suprimento de madeiras tropicais transferiu-se para a região ama­zônica. Tal mudança provocou a substituição das madeiras de pinho-do-paraná e da peroba-rosa, que eram tradicionalmente utilizadas no setor, por outras madeiras, frequentemente desconhecidas pelos usuários e, geralmente, inadequadas ao uso pretendido.

Neste trabalho, a alocação das madeiras nos grupos de uso final na construção civil foi rea­lizada por meio de um critério em que foram identificadas as propriedades e/ou características consideradas necessárias para o bom desempenho da madeira no uso especificado. Para cada propriedade identificada foram fixados valores mínimos e máximos, tendo como base os valores de madeiras tradicionalmente empregadas nos usos considerados.

A adequação das madeiras selecionadas foi feita primeiramente pela identificação dos prin­cipais grupos de usos, com seus componentes e seus requisitos técnicos. Em seguida, foi feita a compatibilização das propriedades das madeiras, nos seus níveis apropriados de desempenho, com os requisitos técnicos dos componentes de construção, levando-se em consideração também suas dimensões, formas, defeitos proibidos ou aceitáveis, para então indicar as espécies de madeiras para uso como matéria-prima nos componentes selecionados.

Madeiras Brasileiras

Andiroba – moderadamente resistente. Uso:

  • estacas marítimas; 
  • pontes, obras imersas em ambiente de água doce, postes, dormentes ferroviários; 
  • estrutura pesada de construção civil; embarcações (quilhas, convés, costado, cavernas); 
  • cabos de ferramentas e cutelaria; 
  • caibros, ripas, esquadrias de portas, lambris, venezianas, batentes, caixilhos, rodapés, etc. Sua madeira é de coloração pardo-avermelhada até uma tonalidade bem escura, de superfície irregularmente lustrosa e áspera. 

Textura variando de fina a média, grã geralmente direita, podendo eventualmente apresentar-se ondulada. Sem cheiro ou sabor perceptíveis. É madeira de média trabalhabilidade, fácil de laminar e com ligeira tendência a rachar com pregos.

Aroeira – uso:

  • carpintaria e marcenaria de luxo,
  • compensado, 
  • cabos de ferramentas, 
  • artesanato, 
  • peças torneadas, 
  • tacos e tábuas de assoalhos, 
  • venezianas, 
  • marcos de portas e janelas, 
  • molduras, rodapés, lambris, escadas, 
  • móveis, puxadores, 
  • carrocerias, barris, tonéis, réguas.

Angelim – Madeira dura, de cor castanha avermelhada clara, grã irregular, aspecto fibroso, textura grosseira, com cheiro e gosto indistintos. Apresenta-se resistente ao ataque de fungos e cupins. Uso:Madeira Angelim

  • peças de decoração para exteriores e interiores,escadas, 
  • pisos e vigas. 
  • construção civil e naval, 
  • dormentes, estacas, 
  • tacos de assoalhos, vigamentos, etc.

Balsa – Madeira de fácil trabalhabilidade. Uso:

  • brinquedos, 
  • isolante térmico e acústico, 
  • aeromodelismo, 
  • artesanato folclórico.